O Iluminismo foi um amplo movimento de ideias desenvolvido na Europa que se desdobrou de modo diferente em cada lugar, tinha como princípio substituir a visão teocêntrica da Europa que foi espalhada na Idade Média com o uso da razão, para alcançar a liberdade. A partir dos avanços da ciência e da técnica que ocorriam no século XVIII, uma época de grandes transformações tecnológicas, com a invenção do tear mecânico, da máquina a vapor, entre outras, os chamados iluministas passaram a buscar uma nova visão do homem , visto então como um ser que busca naturalmente a felicidade que participa da sociedade, capaz de experimentar incessante progresso.
Os filósofos e economistas que difundiam essas idéias julgavam-se propagadores da luz e do conhecimento, segundo eles, o homem foi impedido de evoluir, a a solução é transformar a sociedade, garantindo a todos a liberdade de expressão e através do iluminismo ele poderia ser impulsionado a investigar cientificamente e buscar respostas sobre perguntas que antes somente eram respondidas por meio da fé. Essas ideias trouxeram seguidores e foram as principais motivações para o surgimento da Revolução Francesa, cujo lema era liberdade, igualdade e fraternidade.
O desdobramento prático, revolucionário dessas ideais aconteceu primeiro na América do Norte, onde a colonia inglesa liberto-se do domínio metropolitano europeu, mas na Europa isso só se efetivou com a Revolução Francesa de 1789. São os desdobramentos iluministas o enciclopedismo que buscava catalogar todo o conhecimento humano a partir dos novos princípios da razão assim como o reformismo ilustrado.
Os filósofos iluministas afirmavam que pela razão o homem poderia conquistar a liberdade e a felicidade, devendo para isso libertar-se de toda forma de superstição, de preconceitos, de medos. Na critica aos resquícios feudais, os iluministas defendiam a liberdade, a tolerância, a igualdade dos indivíduos perante a lei. Argumentavam a favor dos direitos individuais, com destaque para o direito à propriedade privada e liberdade comercial sem a intervenção dos governantes. Os ideais iluministas tornavam mais acirradas as críticas ao Antigo Regime, que iam ao encontro dos interesses capitalistas da burguesia ascendente e, dada a dimensão e importância dessas ideias iluministas, difundiram a denominação do século XVIII como Século das Luzes.
Os fisiocratas, previamente franceses, surgiram quando ainda não havia atividade industrial, apenas aquelas ligadas à agricultura, foram os primeiros a formular a existência de uma ordem natural reguladora do mercado, pregavam um capitalismo agrário sem a intervenção do Estado. Influenciaram na formação de uma corrente de pensamento chamada liberalismo econômico, a liberdade de comércio interior e o progresso da agricultura eram as chaves do desenvolvimento e as condições prévias para o crescimento de uma nação, afirmavam que a terra era única e fonte de riqueza e a agricultura a unica atividade verdadeiramente produtiva.
ALGUNS PRECURSORES DO ILUMINISMO
Os Iluministas franceses decidiram reunir uma grande obra , a chamada Enciclopédia organizada pelo escritor Diderot e o matemático D'Alembert ( publicada entre 17751-1780), aquilo que seria todo o saber cientifico, técnico, histórico, literário e musical do seculo XVIII, transformado-se num instrumento eficiente de divulgação dos princípios do iluminismo.
John Locke (1632-1704) foi um dos primeiros filosofos contestadores do absolutismo, defendia a ideia do direito natural, de que a vida, a liberdade e a propriedade privada eram direitos humanos naturais. Caso o governo não cumprisse sua razão de ser, a de proteger, e garantir o livre uso da propriedade privada a sociedade teria direito à rebelião, à substituição do governante tirânico, Locke negava o absolutismo monárquico fundando o liberalismo politico.
Barão de Montesquieu (1689-1755) desenvolveu a teoria da separação e da independência dos poderes do Estado, segundo qual o governo deveria ser exercido simultaneamente pelo legislativo, executivo, judiciário, assim também questionava o o poder concentrado nas mãos dos soberanos absolutistas.
Voltaire (1664-1778) ganhou fama pelas vibrantes críticas que fez contra a Igreja e a censura de seu tempo. Defendia uma monarquia que respeitasse os direitos individuais, na qual o rei tinha de ser um homem "esclarecido" pelos filosofos.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) defendeu a formação de um governo popular em oposição à monarquia absolutista. Foi criador da teoria do "Bom Selvagem" a qual o homem primitivo, por levar uma vida livre e saudável em contato direto com a natureza, é que era naturalmente feliz. Propunha um governo no qual o povo participasse politicamente e a vontade da maioria determinasse as decisões políticas.
François Quesnay (1694-1774) fisiocrata, foi o primeiro que percebeu que existe um mercado, onde existe produção e circulação de mercadorias, de serviços e de pessoas. para ele a economia deveria ser livre, sem a tutela do Estado, funcionando segundo as leis naturais. Acreditava que era necessário que houvesse uma liberdade de comércio para garantir um bom preço.
Adam Smith (1723-1790) coloca que a intervenção mercantilista atrapalhava o desenvolvimento produtivo e enquanto a livre concorrência, a divisão do trabalho e o livre comercio pareciam-lhe indispensáveis para o aumento do produtividade e para o progresso da humanidade. Propunha que as leis econômicas são como uma mão invisível regulando os preços e a oferta dos produtos.
Marquês de Pombal (1699-1782) conhecido Sebastião José de Carvalho adotou uma série de medidas para modernizar e recuperar economicamente o Reino. Seu objetivo era reativar a economia portuguesa e limitar a forte dependência que o reino tinha com a Inglaterra, abriu Portugal para a influência do Iluminismo, expulsou os jesuítas de Portugal e das colônias por se oporem às suas reformas educacionais. Regulamentou o salário dos camponeses e o tamanho das propriedades rurais.

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